A origem do teatro e a agonia do espectador

A origem do teatro

O teatro que surgiu na Grécia Antiga era diferente do atual.

Os gregos assistiam às peças de graça e não podiam frequentar o teatro quando quisessem.

Ir ao teatro era um compromisso social das pessoas.

Os festivais de teatro tinham grande importância.

Dedicados às tragédias ou às comédias, eles eram financiados pelos cidadãos ricos sendo que o governo pagava aos mais pobres para que estes pudessem comparecer às apresentações.

Os festivais dedicados à tragédia ocorriam em teatros de pedra, ao ar livre, onde se escolhia o melhor autor pois embora alguns atores fizessem sucesso, os grandes ídolos do teatro eram os autores.

As apresentações duravam vários dias e começavam com uma procissão em homenagem ao deus Dionísio, considerado protetor do teatro.

A plateia acompanhava as peças o dia todo e reagia com intensidade às encenações.

No palco, os atores usavam sapatos de sola alta, roupas acolchoadas e máscaras feitas de panos engomados e pintados, decoradas com perucas e capazes de amplificar as vozes.

A partir do Império Romano que sucedeu a civilização grega, o teatro entrou em declínio.

Os romanos preferiam o circo o qual na época era voltado para lutas entre gladiadores e animais.

No início da Idade Média, em 476, o teatro quase sumiu.

A Igreja Católica, que detinha o poder, combatia o teatro, pois considerava pecado imitar o mundo criado por Deus.

Poucas manifestações teatrais parecem ter resistido nessa época.

Apenas alguns artistas percorriam as cortes de reis e nobres, como malabaristas, trovadores (poetas que cantavam poemas ao som de instrumentos musicais), imitadores e jograis (intérpretes de poemas ou canções românticas, dramáticas ou sobre feitos heroicos).

No século 11, com o aumento da produção agrícola, o comércio se expandiu, cidades e feiras reapareceram e a população aumentou.

O teatro reapareceu na Igreja.

Para divulgar seus ensinamentos, a igreja passou a usar recursos teatrais nas missas como diálogos entre o sacerdote e os fiéis.

Surgiram então representações do nascimento e da morte de Cristo dentro da Igreja e fora dela.

No fim da Idade Média, surgiram vários tipos de representações teatrais, relacionadas a datas solenes e encenadas por amadores.

As paixões e os mistérios, por exemplo, eram espetáculos públicos, encenados durante dias em palcos ao ar livre. 

O teatro, expressão das mais antigas do espírito lúdico da humanidade, é uma arte cênica peculiar, pois embora tome quase sempre como ponto de partida um texto literário (comédia, drama, e outros gêneros), exige uma segunda operação artística: a transformação da literatura em espetáculo cênico e sua transformação direta com a plateia.

Assim, por maior que seja a interdependência entre texto dramático e o espetáculo, o ator e a cena criam uma linguagem específica e uma arte essencialmente distinta da criação literária.

Durante os espetáculo, o texto dramático se realiza mediante a transformação do ator em personagem.

A literatura dramática não é um gênero, como outros, da literatura geral, pela indispensável presença e cooperação do público.

Assim, o teatro é principalmente fenômeno social e, como tal, sujeito às leis e dialética históricas.

Por isso, não existe teatro em sentido absoluto, com normas permanentes, mas vários teatros, muito diferentes, de diversas épocas e nações.  

Veja alguns exemplos de manifestações teatrais que vieram anterior aos gregos.

Na China antiga, o budismo usava o teatro como forma de expressão religiosa.

No Egito, um grande espetáculo popular contava a história da ressurreição de Osíris e da morte de Hórus.

Na Índia, se acredita que o teatro tenha surgido com Brama.

Nos tempos pré-helênicos, os cretenses homenageavam seus deuses em teatros, provavelmente construídos no século dezenove antes de Cristo.

É possível perceber através destes exemplos, uma origem religiosa para as manifestações teatrais.

Fontes

http://www.virtual.epm.br/uati/corpo/cultura_origem_do_teatro.htm

http://www.dionisius.hpg.ig.com.br/index.htm

A origem do teatro e a agonia do espectador

O teatro e a agonia do espectador, por Fersen

Estamos sentados juntos num teatro assistindo a um espetáculo.

Nossos rostos, iluminados pelo reflexo das luzes do palco, convergem para o retângulo do proscênio: olhamos e escutamos.

Há silêncio e calma na sala; no palco, vozes e movimento.

Somos uma plateia de espectadores: escutamos e olhamos as palavras e as ações que os atores dizem e realizam para nós.

Os corpos estão em repouso, as mentes estão ativas.

Há em nós atenção e expectativa. Uma atenção feita de expectativa.

A atenção refreia o tempo cênico e examina cada instante, a expectativa aumenta sua velocidade: uma tensão conflitante entre dois desejos antagônicos caracteriza nossa condição interior.

O tempo teatral é isso.

O presente atrai avidamente para si o futuro cênico e o futuro, atraído, faz recuar para o passado o presente que o atrai, tornando-se por sua vez presente.

Mas logo o novo presente atrai o presente transcorrido e, confrontando seus dados com as informações recentes de que é portador, projeta a expectativa para o novo futuro.

A atenção que nos une aos outros espectadores consiste nesse constante fluxo e refluxo mental.

Viemos de circunstâncias diferentes, portadores de subjetividades próprias.

Mas agora, aqui, conhecidos ou desconhecidos, o que é que nos une?

Talvez algo que na nomenclatura sentimental se chama a “magia do teatro”?

O Teatro, em suma