A síndrome do “Eu não mereço ter sucesso”

-Eu não mereço ter sucesso!

Essa frase pode ser dita por uma pessoa capacitada e com potencial para ser extremamente bem sucedida na vida.

Mas esta pessoa tem um terrível inimigo: “ela mesma”!

 

 

A Síndrome do Impostor

A Síndrome do Impostor é um fenômeno que afeta as pessoas em sua autoestima e segurança e então estas pessoas não conseguem acreditar em sua própria capacidade e não se consideram merecedoras de sucesso.

Estas pessoas sabotam a si mesmas.

A expressão “Síndrome do Impostor” foi designada pela psicóloga Pauline Clarice, da Universidade de Geórgia em Atlanta, no final da década de 70.

A frase “eu não mereço ter sucesso” é dita mesmo quando estas pessoas recebem elogios e são reconhecidas pelo seu esforço. Mas estas pessoas carregam um grande medo de que sua farsa seja descoberta.

Isso mesmo! Estas pessoas duvidam tanto de si mesmas que acreditam que quando são elogiadas e reconhecidas por seu esforço, tal coisa acontece somente por simpatia alheia ou porque conseguiram enganar os outros e fizeram com que fossem equivocadamente vistas como pessoas capacitadas.

Quem tem a Síndrome do Impostor tem um grande medo de que sua farsa seja descoberta!

Quando estas pessoas dizem para si mesmos: “eu não mereço ter sucesso” estão, em sua opinião, fazendo a declaração de uma verdade incontestável.

Estas pessoas acreditam que a recompensa de seu esforço é fruto de bajulação, sorte ou por terem enganado o outro.

A Síndrome do Impostor, então, é um fenômeno que faz com que a pessoa apresente baixa autoestima e consequente complexo de inferioridade, muitas vezes mascarada por uma máscara de exagerada simpatia ou arrogância e tudo isso acompanhado por tendência depressiva e que com o passar do tempo pode realmente se confirmar como depressão.

 

 

A dor de dizer: “eu não mereço ter sucesso”

A frase: “eu não mereço ter sucesso” é uma declaração carregada de dor e equivocado reconhecimento de predestinação ao insucesso.

O outro lado deste complexo de inferioridade é a superestimação da capacidade do outro, o que acaba numa contabilidade em que o outro sempre merece os créditos e ela está sempre em débito.

Pesquisas apontam que a Síndrome do Impostor acomete mais mulheres e surge principalmente no início da época universitária e com mais frequência quando a pessoa começa a sua vida profissional.

Estas são fases em que a pessoa sofre maior pressão e exigência e, talvez, a ocorrência ser mais comum em mulheres se deve ao fato da mulher ter que enfrentar mais obstáculos que o homem para obter sucesso como consequência da cultura patriarcal que vivemos.

As pessoas acometidas pela “Síndrome do Impostor” podem adotar estratégias polarizadas para lidar com as situações em que precisam mostrar desempenho.

Por um lado podem exagerar na preparação para a situação e isto demandar longo tempo e grande esforço. São aquelas pessoas que estão sempre se especializando! E quando são finalmente reconhecidas acreditam que seu reconhecimento é injusto ou aconteceu por sorte.

Por outro lado existem aqueles que não se preparam e não aceitam ser ajudados, afinal, alguém que tem como lema de vida a frase: “eu não mereço ter sucesso” não se vê digna de ajuda e também não vê sentido em se esforçar porque de nada adiantará já que ela não se vê merecedora de sucesso.

 

 

O que fazer?

Romper um ciclo vicioso psíquico não é tarefa simples e na maioria das vezes é preciso a intervenção profissional de um psicólogo.

A ajuda do profissional de psicologia é, geralmente, necessária por se tratar de uma postura de vida que acontece inconscientemente e a frase de Daryl Sharp é plenamente cabível nesta situação: “o mundo está cheio de pessoas inconscientes – aquelas que não sabem por que fazem aquilo que fazem”.

O processo para lidar com a Síndrome do Impostor se caracteriza por auxiliar a pessoa a “suportar” ter sucesso.

É uma jornada em que serão trabalhados os seguintes pontos:

 

  • Fortalecimento da autoestima
  • Preparação para a pessoa lidar com mais responsabilidades que serão decorrentes do seu reconhecimento e promoção
  • Estruturação psíquica para suportar frustrações e insucessos, pois se acaso ocorressem seriam destrutíveis para a recém conquistada autoestima e constatariam para a pessoa que ela “realmente tinha razão” em dizer “eu não mereço ter sucesso”
  • Adequação da conta entre esforço e sucesso para encerrar os ciclos de exagerada preparação ou preparação nenhuma

 

Para os junguianos um caso de forte conflito persona x sombra.

Finalizando, a pessoa que diz: “eu não mereço ter sucesso” é alguém que carrega a grande dor de não enxergar quem realmente é.

A triste situação de ser uma farsa para si mesmo.

Se você que está lendo este artigo se identificar com aquele que tem a Síndrome do Impostor saiba que você realmente não se conhece ou pouco se conhece, mas que quando começar a se conhecer perceberá que o infinito mora em você e que suas infinitas possibilidades podem começar a acontecer a partir de agora.

Você estar lendo este artigo não é obra do acaso e sim, o primeiro passo para você começar a enxergar seu próprio brilho.

 

Feliz busca de si mesmo!

 

Paulo Rogério da Motta