A vida e obra de Freud


Ao se falar da vida e obra de Freud estamos, ao mesmo tempo, contando a história da Psicanálise.

A vida e obra de Freud é a história de um homem que precisou enfrentar inúmeros obstáculos para consolidar suas ideias e que graças à sua genialidade se tornou uma das figuras de maior relevância da história humana.

Iniciemos, então, a cronologia da vida e obra de Sigmund Freud!

 

 

Vida e obra de Freud

 


 

Do menino ao Dr. Freud

Em 06 de maio de 1856, na pequena cidade de Freiberg, na Moravia, atual Eslováquia, nasce Schlomo Sigismund Freud.

O nome “Sigismund” foi dado em homenagem a um antigo imperador da Moravia.

Filho de Jacob Freud e de Amália Freud era o filho mais velho do terceiro casamento de seu pai.

Jacob era um vendedor de tecidos e a família tinha limitada posição financeira.

Em sua infância uma velha camponesa previu que Freud estava destinado para a grandeza.

Sua mãe o chamava de “meu Sigi de ouro”.

Em razão da aposta da família em seu promissor futuro, Freud era o único na família a ter o seu próprio quarto.

Freud tirava ótimas notas no colégio e estudava idiomas sozinho.

Com doze anos leu Shakespeare no original e era fluente em seis idiomas. Freud, em sua infância,tinha o hábito de anotar os seus sonhos.

Freud, por ser judeu, tinha a medicina e o direito como as profissões que lhe cabiam devido ao clima antissemita da época.

Em 1873, influenciado pelos trabalhos de Darwin e de Goethe, Freud ingressa na Faculdade de Medicina da Universidade de Viena.

Em 1876 estuda a sexualidade das enguias.

Em 1878 muda seu nome para “Sigmund” e em 1881 obtém o doutorado em medicina.

Em 1882 conhece Martha Bernays. Freud e Martha tiveram um namoro bastante vitoriano e se correspondiam por carta.

O noivado durou quatro anos e durante esse período se encontraram apenas seis vezes.

Em 1884 começa a pesquisar a cocaína e seus efeitos terapêuticos sem suspeitar de seu efeito viciante. Freud tomava grandes doses de cocaína porém nunca se tornou um viciado.

Em 1885 começa a trabalhar com Charcot.

Em 1886 trabalha como neurologista e com trinta anos casa-se com Martha Bernays.

 

 

A descoberta da livre associação

Com Charcot, Freud descobre o uso da hipnose para induzir ou aliviar os sintomas histéricos.

Freud deduziu que a histeria era uma doença psíquica.

Freud, porém, não achou a hipnose tão efetiva quanto esperava.

Com a cooperação de Breuer explora a dinâmica da histeria.

Em 1887 tem seu primeiro encontro com Wilhelm Fliess.

Fliess viria a ser um confidente e suporte moral para Freud.

Em 1891 lança seu primeiro livro: “Sobre a formação das afazias”.

Em 1895 publica com Breuer: “Estudos sobre a histeria”. O livro não foi bem acolhido e Breuer abandona essa linha de pesquisa.

Freud descobre a importância da sexualidade na etiologia (estudo da origem) das neuroses.

Freud então passa a encorajar os seus pacientes a falarem livremente e a relatarem o que quer que pensassem, mesmo que não houvesse aparente relação com os sintomas por eles sentidos.

Nasce, assim, a livre associação.

Em 1896, Freud usou pela primeira o termo “Psicanálise” para descrever o seu método.

Em 1897 começa sua autoanálise.

Devido às suas ideias, Freud viveu um período de isolamento.

Era evitado em Viena e não era mencionado no estrangeiro.

Em 1899, porém devido a seu pedido é lançado com a data de 1900 para associar com o início de um novo século, publica: “A interpretação dos sonhos”.

O livro, na época, não recebeu a devida consideração. Hoje é a principal ou uma das principais obras de Freud.

 

 

A consolidação da Psicanálise

Freud, em 1891, lança outra importante obra: “Psicopatologia da vida cotidiana”.

Pouco a pouco vai terminando o seu isolamento e começa a reunir um pequeno grupo de discípulos.

Em 1906 toma conhecimento do interesse de Carl Gustav Jung pela psicanálise.

Em 1908 é realizado o primeiro congresso internacional de psicanálise.

Em 1909 visita os Estados Unidos com Ferenczi e Jung.

Em 1910 é fundada a Associação Psicanalítica Internacional (IPA), sendo Jung seu primeiro presidente.

Em 1913 escreve: “Sobre o narcisismo” e “Totem e tabu”.

Ainda em 1913, Freud e Jung rompem relação.

Jung não aceitava que as causas dos conflitos psíquicos eram sempre de natureza sexual.

Em 1914 escreve: “Contribuição à história do movimento psicanalítico” e “Moisés de Michelangelo”.

Em 1915: “Considerações atuais sobre a guerra e sobre a morte e metapsicologia”.

 

 

Novos tempos difíceis

Freud, em 1920, lança “Além do princípio do prazer e psicologia de grupo e a análise do ego”.

Freud, em 1923, adoece e submete-se a uma primeira cirurgia em razão do câncer na mandíbula e até a sua morte tem que submeter-se a trinta e três operações. Ainda em 1923 publica “O id e o ego”.

A partir do término da primeira guerra mundial a psicanálise começa a se desenvolver no plano internacional.

Em 1925 é publicado “Selbsdartastellung” (sua autobiografia) e “Inibições, sintomas e angústia”.

Para Freud, o lado sexual da doutrina não é uma invenção ou descoberta da psicanálise.

Esta apenas trouxe à ciência o que a ciência oficial negava-se a reconhecer.

Em 1927 é publicado “O futuro de uma ilusão”.

Em 1933 os livros de Freud são queimados na Alemanha dominada pelo nazismo.

 

 

A morte do mestre

Em 1938 0 movimento nazista tomava, pouco a pouco, conta do continente europeu.

A Gestapo investigou a casa de Freud, prendeu e interrogou sua filha Anna durante um dia inteiro.

Freud deixa Viena e vai para Londres.

Quatro irmãs dele: Rosa, Mitzi, Dolfi e Paula, todas com quase 80 anos, foram deportadas para campos de concentração aonde morreram.

Freud em sua história foi escorraçado como judeu, ridicularizado por suas ideias, glorificado pela criação da psicanálise.

Freud: um libertador do pensamento.

Fragilizado pela doença, pelo momento e pelo passar dos anos, no dia 23 de setembro de 1939, morre Freud, o pai da psicanálise.

Ma a vida e obra de Freud deixou um legado que o faz presente ainda nos dias de hoje: a Psicanálise.

 

 

Paulo Rogério da Motta


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