Afeto e desafeto na família e amor e ódio entre irmãs

As relações familiares são ambíguas! Afeto e desafeto nas palavras de Lya Luft e o amor e ódio entre irmãs no vídeo de Rino Stefano Tagliafierro. 

amor e ódio entre irmãs

Lya Luft falando sobre o afeto

Excertos do livro: Perdas e ganhos.

Esse é o alimento que me podem dar desde o berço.

Ele nutre a minha alma, e é com ela que conquistarei o meu lugar: o meu lugar na minha casa, no meu casamento, na minha família, na minha sala de aula, no meu escritório, na minha fábrica, na minha rua.

Mas tem de ser acima de tudo o meu lugar diante de mim mesma.

Gestos, silêncios, palavras: criaturas vivas que na sombra do inconsciente armam laços e desarmam vidas.

Com elas construímos pontes em cima das águas turvas ou cavamos o fosso dos mal-entendidos.

Uma boa parcela dos sofrimentos entre as pessoas nasce do desencontro e da incomunicabilidade.

“Eu sempre tive certeza de que nossos pais preferiram você.”

“Mas como! Eu é que sempre tive certeza de que gostavam muito mais de você.”

“Você nunca disse que me amava, eu até achava que não era seu filho, que era filho adotado!”

“Mas como! Eu te cuidei, te protegi, te ensinei, te dei tudo o que podia… Me consumi trabalhando mais do que devia para que não te faltasse nada… Lavei suas roupas, cuidei de você nas doenças…”

“Mas aquela vez você disse… Você fez… Você parecia…”

“Mas não era nada disso!… Você não entendeu direito… Eu não soube me expressar bem.”

Se a ferida for séria demais, diálogos ou explicações como esses não vão curar o que está gravado a fogo.

Não basta uma noite de natal ou um almoço em família para desfazê-lo.

Alguém me disse:

“Mas é assim mesmo, a gente não se entende. Somos todos uns pobres-diabos, todos complicados, todos inseguros e infelizes: como passar  algo de bom para os filhos?”

Não concordo.

Não acho que sejamos pobres-diabos, nem que todos somos infelizes.

Somos complexos, isso sim: intrigantes, vulneráveis e passíveis de engano e erro.

Somos também maravilhosas máquinas de afeto e ideias, de sonho, de produção de arte que transporta além do trivial.

Capazes de instaurar o mais simples cotidiano que dá segurança e aconchego.

Porém o amor – como o desamor – é uma tarefa trabalhosa.

Que nos produz e nos recria a cada hora.

Uma personalidade é um jogo de armar emoções enoveladas, com peças difíceis de ajustar.

Comunicar deveria servir para compartilhar o mundo interior, mas, muitas vezes, tem servido para ocultar o que queremos dizer.

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Afetos e desafetos

Algo é certo e definitivo: o homem é um “ser social” logo precisa “comunicar-se”.

Mas lembre-se sempre que o homem é um “ser pensante”, portanto, carrega em si a possibilidade de avaliar e escolher o que vai comunicar ao seu próximo e este próximo pode ser uma irmã, um irmão, pai, mãe, estranho…

O ser humano é alguém que colore sua vida com emoções e sentimentos, logo a afetividade permeia suas relações.

E afeto é deixar-se afetar. É estar pleno nas relações, mesmo que sejam de amor e ódio entre irmãs ou de afeto e desafeto na família!

Amor e ódio entre irmãs

Amor e ódio entre duas irmãs num mundo surreal

Um filme surreal de Rino Stefano Tagliafierro que se passa num elegante ambiente, recheado de relógios de cuco, lobos e cabeças de veado.

O filme em slow motion mostra a relação de amor e ódio entre duas irmãs.

A história é contada através de lentos e mecânicos movimentos com beijos, puxões de cabelo, sussurros e em uma memória suspensa no tempo.

Vídeo