As poesias místicas de Omar Khayyām

As poesias místicas de Omar Khayyām faz parte daquelas obras que são marcantes não somente pela sua beleza literária, mas, também, por sua intensa profundidade que faz seu leitor ter sua alma tocada.

Omar Khayyām é um poeta, matemático e astrônomo persa.

Pouco se sabe sobre Omar Khayyām que possa ser dito com certeza, mas dentro do que sabemos ele por volta do século XI, em Nishapur, na Pérsia, local onde vivei maior parte de sua vida.

Uma data suposta de ser nascimento é 18 de maio de 1048 e de sua morte é 4 de dezembro de 1131.

Ele é mais conhecido no ocidente como o poeta que escreveu “Rubaiyat”, poesias místicas que ficaram populares através da tradução de Edward Fitzgerald, séculos depois da sua morte, em 1839.

O Euniverso traz para você o talento de Omar Khayyām expresso nas lindas poesias místicas “Rubaiyat”, aqui adornadas em vídeos com a narração de Letícia Sabatella.

Aprecie com sua alma! Boa leitura!

 

Rubaiyat I

Debaixo de um arbusto, um pão e uma garrafa


de vinho e os meus poemas: tudo o que preciso.


E tu, e do meu lado cantas no deserto,


e o deserto se torna, então, no paraíso.

Rubaiyat II

Entrado no universo, sem saber porquê, 

nem de onde, tal qual a água, queira ou não, a fluir; 

e fora dele, como o vento em descampado 

soprando, queira ou não, sem saber para onde ir. 

Rubaiyat III

No céu, a mão esquerda da alvorada; eu sonho.

Na taberna, uma voz escuto na algazarra

– Despertai, meus pequenos, e enchei bem o copo

antes que seque o vinho da vida em sua jarra.

 

Ah! Enche o copo! De que serve repetir

que o tempo sob os nossos pés já vai fugindo?

O amanhã não nasceu e o ontem já morreu,

porque me hei de importar, se o dia de hoje é lindo?

 

E ao côncavo invertido que se chama o céu,

sob o qual rastejaram o vivo e o que morreu,

não ergas tuas mãos, pedinte. Ele é impotente

no seu girar, tal qual o somos tu ou eu.

 

O dedo que se move escreve, e, tendo escrito,

se vai. E toda a argúcia e piedade, entretanto,

não o trarão de volta a mudar meia linha,

nem as palavras podes apagar com o pranto.

 

E se o vinho que bebes, o lábio que oprimes

findam nesse nada que a tudo dá sumiço,

imagina, então, que és; não podes ser senão

o que hás de ser – nada! Não serás menos que isso.

 

Façamos o que é mais do que ainda há por fazer

antes que também nós ao pó vamos enfim.

O pó vai para o pó, sob o pó vai jazer

sem vinho, sem canções e sem cantor… sem fim.

 

É tudo um tabuleiro de noites e dias;

os homens são peças, e o fado temerário

com elas joga, e move, e toma, e dá o mate,

e uma a uma as recolhe, e vai guardar no armário.