O idoso e a canção na plenitude

A canção na plenitude, de Lya Luft, é uma oportunidade para reflexão sobre o envelhecimento e do quanto o passar dos anos pode tornar alguém pleno de vida e beleza.

O idoso e a canção na plenitude

O idoso e a canção na plenitude


Antes de Lya Luft vamos pensar sobre o processo de envelhecimento.

O reconhecimento de que ser idoso não é sinônimo de ser fraco ou ser cansado e sequer de se ser frágil possibilitará o surgimento de novas regras de convivência em nossa sociedade.

Há um grande desafio no ar atualmente que é a promoção da experiência e da sabedoria de vida numa sociedade que envelhece e que se sente ameaçada por essa realidade.

Uma nova visão do idoso se faz necessária, não só pela urgência do momento, mas também porque todos aqueles que hoje ainda não são idosos no futuro serão.

A rápida transição de uma população mais jovem para uma população mais velha dá um curto espaço de tempo para por fim aos estigmas e a sociedade que criamos ainda priva a pessoa que envelhece de sua autoconfiança, de seus postos de trabalho e até de sua própria biografia.

Por isso, as palavras de Lya Luft são, além de belas, urgentes!

O idoso e a canção na plenitude

A canção na plenitude


Não tenho mais os olhos de menina nem corpo adolescente, e a pele translúcida há muito se manchou.

Há rugas onde antes havia sedas, sou uma estrutura agrandada pelos anos e o peso dos fardos bons ou ruins.

Carreguei muitos com gosto e alguns com rebeldia.

O que te posso dar é mais que tudo o que perdi: dou-te os meus ganhos.

A maturidade que consegue rir quando em outros tempos choraria, busca te agradar quando antigamente quereria apenas ser amada.

Posso dar-te muito mais do que beleza e juventude agora: esses dourados anos me ensinaram a amar melhor, com mais paciência e não menos ardor, a entender-te se precisas, a aguardar-te quando vais, a dar-te regaço de amante e colo de amiga, e sobretudo força – que vem do aprendizado.

Isso posso te dar: um mar antigo e confiável e cujas marés – mesmo se fogem – retornam, cujas correntes ocultas não levam destroços, mas o sonho interminável das sereias.

Lya Luft


Vídeo: Canção na plenitude