O complexo de Édipo masculino e feminino

Será que há diferença entre o complexo de Édipo masculino e feminino?

Vale lembrar que o complexo de Édipo é o ponto central da psicanálise.

Vamos iniciar a caminhada para responder esta pergunta…

O complexo de Édipo masculino e feminino

O complexo de Édipo

Antes de responder se há diferença entre o complexo de Édipo masculino e feminino é preciso que saibamos o que é complexo de Édipo!

O Complexo de Édipo é a noção fundamental da teoria de Freud e se constitui no ponto central da psicanálise.

Sobre o Complexo de Édipo há um artigo no Euniverso: A Psicanálise e o Complexo de Édipo.

O complexo de Édipo parte da premissa da atração sexual que a criança sente pela mãe.

A atração que a criança sente pela mãe (sem a necessidade de ser a mãe biológica ou sequer uma figura feminina) ou pela pessoa que exerça a função maternal em seu sentido psicológico.

Essa função maternal pode ser desempenhada por qualquer pessoa (independente do sexo) ou até um aparelho institucional e a função materna ou a mãe é de vital importância no desenvolvimento infantil.

O ser humano na ótica da psicanálise é um ser que nasce com uma fraqueza constitucional.

A fraqueza constitucional é um conceito que se refere à maneira como o ser humano precisa do outro.

O ser humano nasce como um ser incompleto e necessita do outro para alcançar sua completude biologia e psíquica ao longo de seu desenvolvimento.

O desenvolvimento humano é marcado por uma infância longa que faz com que o ser humano dependa para a sua sobrevivência de uma função maternal que supra suas necessidades básicas.

Até aqui o desenvolvimento do complexo de Édipo masculino e feminino são iguais!

A proibição do incesto

A importância da mãe (ou função materna) faz com que ela seja o principal objeto de amor da criança, na teoria psicanalítica esta centralização é uma unificação dos impulsos sexuais.

Desta forma, a unificação dos impulsos sexuais se dá numa fase que a psicanálise chamou de fálica que é quando a criança transfere a totalidade do interesse do seu ego para o falo ocasionando a unificação na função genital.

A partir disso, a mãe é vista como um objeto global de satisfação geral, passando a criança a dirigir sua libido para a mãe.

Esta situação acontece igualmente no complexo de Édipo masculino e feminino.

A mãe inicialmente satisfaz todos os anseios da criança, mas chega o momento em que a mãe precisa retornar ao seu papel de ser também mulher e não apenas mãe e é quando acontece a proibição do incesto.

Portanto, a proibição do incesto é a denominação dada por Freud quando a mãe sadia se revelar por inteira à criança e se mostra também como mulher.

Isto é, a mãe se mostra como pessoa que também procura (concreta ou imaginariamente) num outro o amor genital.

A criança não podendo oferecer este amor genital ou substitui-lo, percebe uma recusa e isto significa que há na mãe um espaço afetivo que a criança não pode preencher e que é destinado à outra pessoa.

Esta é outra pessoa é o pai (ou função paterna).

O complexo de castração

O desejo da criança pelo seu objeto de amor que se vê obstruído pela proibição faz com aquele que desempenhe a função paternal seja visto como um rival e a criança procura então eliminar esta figura (desejo de morte em relação ao pai).

O pai é para a criança aquele que é identificado como o obstáculo para a satisfação do seu desejo, porém diante da manutenção da “proibição de incesto” o pai se mostra como sendo o mais forte e a criança esbarra assim na “lei do pai”.

A criança temerosa diante do poder do pai sente o perigo de ser castrado e renuncia às suas pretensões libidinais à mãe e este é o complexo de castração.

Complexo de castração, portanto, é o resultado do confronto psíquico denominado complexo de Édipo em que a criança diante da impossibilidade de satisfação de seu desejo edipiano vê desmoronar o seu narcisismo infantil.

A quebra da onipotência das suas fantasias infantis permite à criança o acesso ao mundo e, através deste aprendizado pela dor, surge o protótipo de todas as normas e leis futuras, além da possibilidade de transformação do mundo.

O complexo de Édipo masculino e feminino

Mas… Existe diferença entre o complexo de Édipo masculino e feminino?

Sim e não!

Sim porque o meio para se chegar ao resultado difere entre o menino e a menina.

E não porque o resultado final acaba sendo o mesmo.

Vimos que foi instaurado um triângulo no complexo de Édipo.

As partes que constituem o triângulo do complexo de Édipo pertencem ao terreno psicológico e se refere à inclusão de um terceiro individuo, na relação mãe e filho, que é o pai, tornando possível para a criança o abandono da possessividade onipotente.

Vimos os papeis que mãe e pai têm nesse triângulo:

  • A função paterna é a de ser a proibição
  • A função materna é a de ser o objeto de amor

Dito tudo isso agora vamos às diferenças entre o complexo de Édipo masculino e feminino.

O complexo de Édipo masculino e feminino

O complexo de Édipo masculino

O menino percebe o poder do falo nas excitações genitais e foca seu interesse libidinal na figura materna, porém a figura paterna é obstáculo para a consumação de suas pretensões eróticas e o pai é visto como rival.

O interesse erótico da mãe pelo pai gera ódio na criança despertando o desejo de morte do pai, porém, diante da impossibilidade de vencer o pai, o filho vê nele uma figura poderosa e com poder de vingar-se dele, sendo a possibilidade de vingança uma castração.

Entre o desejo pela mãe e os conflitos da castração, o pai emerge como figura de temor e surge o processo de identificação do filho com o pai que lhe permitirá resolver o conflito em que se via inserido ao abandonar a relação incestuosa com a mãe e podendo então superar o complexo edipiano estruturando sua personalidade numa identidade psicossexual definida.

O menino quer ser como o pai.

O complexo de Édipo masculino e feminino

O complexo de Édipo feminino

A menina, nas excitações clitorianas, perceba o poder do falo e dirige à mãe os seus impulsos eróticos, porém é percebida a diferença anatômica dos sexos e a menina descobre que seu clitóris não se transformará num pênis gerando uma desilusão e consequente hostilidade e decepção para com a mãe.

A mãe é vista então como alguém incapaz de fornecer-lhe um pênis.

Isto faz com que a menina mude então seu interesse erótico para o pai, o possuidor do pênis desejado, ao passo que ela se dá conta que possui uma vagina que é capaz de acolher o seu objeto de desejo, tendo assim, através da castração, o início do complexo de Édipo feminino.

A menina quer exercer o papel da mãe.

O contato com a realidade

A quebra da fantasia da criança de querer ser ou exercer os papeis dos pais faz com que ela tenha que voltar seus olhos para o mundo.

O mundo para a criança era constituído pelos pais e agora para a realidade de um mundo constituído de mais pessoas e situações.

É a fase do declínio do complexo de Édipo.

O declínio do complexo de Édipo naturalmente coincide com o início da constituição do superego.

A quebra das fantasias infantis faz com que interdições sejam internalizadas.

A internalização das interdições paternas resulta na situação de que o superego é formado pelo modelo do superego dos pais.

O resultado comum dessa internalização tanto para os meninos quanto para as meninas é o um abrandamento da efervescente atividade sexual infantil e o esquecimento progressivo dessa fase pré-edipiana.

A vida segue com a criança voltando cada vez mais seus olhos para o mundo.

O complexo de Édipo masculino e feminino


Mais de Psicanálise