Esotérico e exotérico? Eis a questão!

Esotérico e exotérico? Há diferença? Qual?

Logo de cara é possível já responder a segunda questão: há diferença sim. E uma diferença substancial.

Para darmos continuidade às demais perguntas, iniciemos com o termo mais popular que é esotérico, embora o mais popular devesse ser “exotérico”. Você vai entender tudo isso logo!

 

Esotérico

O estudante da espiritualidade encontra com frequência a expressão: “esotérico”, porém esta palavra necessita de uma boa compreensão pelo estudante sério dos temas espirituais.

As expressões: “esotérico”, “esotérica” e “esoterismo” acabaram caindo num uso equivocado no senso comum e hoje temos inúmeros livros esotéricos e lojas esotéricas que supostamente ensinam e vendem o que é “esotérico”.

Não pretendo que tal uso destas expressões no senso comum deixe de ser aceito após a definição de tais termos, mas penso que o estudante sério da espiritualidade deve ter ciência do sentido real destas expressões.

A expressão: “esotérico” é social e equivocadamente utilizada no sentido de “exotérico”.

Não mudaremos o uso social com nosso correto entendimento nem cabe abominar seu uso desta forma, afinal, a finalidade da comunicação é expressar algo e se algo atende tal propósito então é ferramenta eficiente da comunicação.

Mas para aquele que se dispõe a especializar seu conhecimento em alguma área é útil o conhecimento do que está além do senso comum.

Pois bem!

Esotérico designa o que está oculto, o que é secreto.

A expressão: “esotérico” deriva do grego esotéricos e se refere ao que é interno e escondido.

Desta forma, o que é esotérico não é acessível à maioria das pessoas e é algo que se revela aos que são iniciados naquela área de conhecimento específica.

E exotérico? O que é?


Exotérico

Exotérico, por sua vez, é aquilo que é externo ou público, ou seja, o que é aparente em seu aspecto exterior e acessível à generalidade das pessoas.

Compreendeu por que eu disse que exotérico deveria ser mais popular do que esotérico?

Exotérico é o público, o externo, o que está à disposição e alcance de todos.

 

Resistência equivocada ao esotérico

Há pessoas que ao seguirem suas religiões demonstram resistência e até repulsa pelo termo “esotérico”, mas não há verdadeira religião que não tenha seu aspecto esotérico.

O verdadeiro contato com o sagrado se dá de forma interna e é sentido particularmente, portanto, mesmo estando num evento coletivo, como um culto, por exemplo, a experiência do sagrado será individual.

O evento coletivo será meio para que cada um experimente individualmente o contato com o sagrado.

Este evento coletivo, acessível a todos é o que é exotérico.

A experiência com o sagrado, seja num evento coletivo ou numa vivência particular, é vivida interiormente pelo indivíduo e, desta forma, é esotérica.

O religioso que não teve a experiência esotérica em sua religião, portanto, não teve o contato real com o transcendente de sua religião.

Sendo assim, não atingiu a essência da “religião”, que vem termo “religare”, que designa a religação do humano ao sagrado ou divino.

 

Popularidade equivocada do esotérico

Se por um lado a expressão “esotérico” desperta resistência em alguns, por outro lado, caiu num uso desmedido no senso comum. 

Um livro ou um artigo somente será esotérico se o seu leitor ou usuário fizer com que seja!

Não há livro ou artigo que seja esotérico por si só!

Um livro, por mais sagrado que seja, se for lido e entendido em sua forma literal e superficial será somente acessado de forma exotérica.

Uma vela acesa que apenas ilumina objetivamente um ambiente e não ilumina subjetivamente aquele que a acendeu não terá finalidade esotérica alguma.

Aqui já podemos entender o profundo significado de algo dito pelos bruxos de que “a magia está no bruxo”.

Numa analogia seria considerar que “falar de amor” é exotérico e “amar” é esotérico.

Falar ou ouvir palavras de amor é acessível a todos, porém “amar” é singular para aquele que ama.



Paulo Rogério da Motta