Humor: Carta de uma mãe portuguesa


Uma bem humorada carta de uma mãe portuguesa. Momento de descontração no Euniverso.

Carta de uma mãe portuguesa

Querido filho:

Escrevo-te esta linha para que saibas que a mãe está viva.
Vou escrever bem devagar pois sei que não consegues ler depressa.
Caso estejas sem tempo de escrever à mãe, manda uma carta dizendo que quando estiveres mais tranquilo vais mandar notícias.

Se tu viesses hoje aqui em casa não irias reconhecer mais nada, porque mudamos. Temos agora uma máquina de lavar roupa. Mas não trabalha muito bem!

Na semana passada pus lá 14 camisas, apertei o botão e nunca mais as vi. Vai ver que esta marca Hydra não é das melhores.

Carta de uma mãe portuguesa

Tua irmã Maria está grávida. Mas ainda não sabemos se vai ser menino ou menina. Portanto, não podemos te dizer se vais ser tio ou tia.

Teu pai arranjou um bom emprego. Tem 2300 homens abaixo dele. É o responsável pelo corte da grama do cemitério.

Quem anda sumido é teu tio Zé, que morreu no ano passado.

Carta de uma mãe portuguesa

Os engarrafadores de refrigerante aqui finalmente tiveram uma grande ideia de colocar uma indicação na tampinha dizendo: “abra por aqui”. Facilitou-nos muito a vida!

Espero que os daí façam a mesma coisa. Caso esteja difícil para ti, a mãe te manda algumas garrafas.

Teu irmão, João, continua o mesmo de sempre. Semana passada fechou o carro com as chaves dentro. Perdeu um tempão indo até a casa pegar a cópia da chave para poder tirar-nos todos de dentro do automóvel. Estava um calor de rachar!

Por falar em calor, o tempo aqui está muito estranho. Esta semana só choveu duas vezes. Na primeira vez choveu durante três dias. Na segunda vez choveu durante quatro dias.

Esta carta te mando através do Gabriel que vai amanhã para aí. A propósito, será que podes pegá-lo no aeroporto?

Lembrei-me de uma coisa importante!

Terás um problema para falar com a mãe, caso decidas escrever-me. Não sei o endereço desta casa nova. A última família que morou aqui, antes de nós, também era portuguesa e levou a placa da rua e o número da casa para não precisar mudar de endereço.

Se encontrares a Teresa dê-lhe um alô da minha parte.   Caso não encontres, não precisas dizer nada.

Adeus.

Tua mãe que te ama.

Fátima Manoela da Alcova

P.S.: Ia mandar-te 2000 escudos, mas fica para outra vez. Já fechei o envelope!

Carta de uma mãe portuguesa


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