A jornada da alma no mistério de Elêusis e Orfismo


No mistério de Elêusis há a celebração das deusas Deméter e Coré e no Orfismo do deus Dionísio.
A jornada da alma em Hades e a relação especial da alma com deus.


A jornada da alma no mistério de Elêusis e Orfismo

O culto do mistério em Elêusis floresceu a partir do século VI a.C. com o propósito de homenagear as deusas Deméter, a Mãe; e sua filha, Coré.
A palavra Deméter se origina das antigas palavras gregas para “terra-mãe”, e Coré, sua filha, segundo a história, foi raptada por Hades e tornou-se sua rainha no Mundo Subterrâneo, onde passou a ser conhecida como Perséfone.
Sendo assim, os mistérios de Elêusis eram ritos de iniciação e baseavam-se no culto celebrado na localidade de Elêusis e destinado às deusas agrícolas: Perséfone e Deméter.
Segundo John A. Sanford, em sua obra: A jornada da alma: Um analista junguiano examina a reencarnação:

[…] aqueles iniciados […] dedicavam-se a um elaborado ritual.
Não se sabe exatamente o que acontecia nesses ritos, porque os iniciados juravam total segredo […], sabe-se […] que no coração dos mistérios ocorria a reencenação do mito de Deméter e Coré, e comia-se um bolo cerimonial que constituía uma espécie de refeição comunitária. […] supunha-se que pudessem conferir a seus adeptos uma espécie de imortalidade.

Essa crença da jornada da alma indica que a alma parece ser capaz de extrair uma nova fonte de vida – da deusa do Mundo Subterrâneo e sua mãe – e, ao fazê-lo, encontra certo tipo de existência contínua e significativa após a morte.
Outra evolução importante da ideia da alma emergiu com o orfismo (especula-se o período VI – V a.C.), quando os seus adeptos acreditavam poder existir um relacionamento especial entre a alma e Deus.
Essa ideia centralizava-se no deus Dionísio, que eles acreditam ter morrido e renascido de maneira um tanto semelhante a Cristo.
O mito órfico central de Dionísio é o seguinte: os malignos Titãs assassinaram o bebê Dionísio e o devoraram.
Zeus, irado, matou os Titãs por seus crimes, destruindo-os com o fogo de um relâmpago.
Da fumaça dos Titãs agonizantes emergiu a raça humana, o que explica a propensão dos seres humanos para o mal e o crime.
Mas a fumaça dos Titãs agonizantes também encerrava o elemento divino do deus Dionísio, que eles haviam devorado, e, por esse motivo, oculto no coração da humanidade, vive o próprio deus Dionísio.
Através de vida de pureza e do seguimento dos rituais órficos prescritos, os devotos podiam unir suas almas à luz do imortal Dionísio.
Isso era particularmente realizado por meio de refeições comunitárias, semelhante sob muitos aspectos à comunhão cristã, na qual os adoradores comiam um pedaço do deus, unindo assim o ser do deus ao seu próprio ser.
Dessa maneira a alma mortal podia tornar-se imortal, compartilhando a natureza da divindade.