Jung e a experiência do numinoso

A experiência do numinoso revela, transcende e transforma…

Confiar em um poder transcendente é uma condição prévia para a experiência do numinoso.

E para Jung a ciência natural não era suficiente.

Jung e a experiência do numinoso

Jung e a experiência do numinoso

Uma boa parte da psicologia junguiana pode ser interpretada como uma tentativa parcial de Jung para encontrar um substituto para a fé ortodoxa em que fora criado, mas contra a qual começou a se rebelar desde cedo.

Para saber mais sobre Jung, psicologia profunda e psicoespiritualidade fica o convite pra visitar o blog: Psicologia profunda.

Retomemos o tema!

Jung só poderá ser entendido se recordarmos que, para ele, ao invés de Freud, a ciência natural não era suficiente.

Tinha de haver sempre um fundo de algo sobrenatural que não podia ser explicado pelo racionalismo que se apoderara do espírito dos homens no final do século XIX e que tão fortemente atraía o obstinado e, por vezes, pessimista Sigmund Freud.

Jung: O principal interesse de meu trabalho não está ligado ao tratamento de neuroses, mas sim à abordagem do numinoso. No entanto, o fato é que a aproximação do numinoso constitui a verdadeira terapia e, uma vez que você atinja as experiências numinosas, você se liberta da praga da patologia.

Jung percebia que a crença, consciente ou inconsciente, ou seja, uma disponibilidade prévia para confiar em um poder transcendente, era uma condição prévia para a experiência do numinoso.

O numinoso não pode ser conquistado; o indivíduo pode somente abrir-se para ele.

Porém, uma experiência do numinoso é mais que uma experiência de uma força tremenda e compulsiva; é um confronto com uma força que encerra um significado ainda não revelado, atrativo e profético ou fatídico. 

Jung, quando ainda era estudante, participou em experimentos de “mesa giratória”.

A médium, de quinze anos e meio de idade, afirmava receber mensagens de parentes mortos e outros espíritos.

Um desses espíritos falava um alto-alemão quase impecável, ao passo que a moça, quando em seu estado desperto normal e não em transe, sabia apenas falar no seu dialeto suíco-alemão.

Esse fenômeno de duas personalidades manifestando-se numa só pessoa excitou o interesse de Jung; e o seu primeiro trabalho publicado, a dissertação para a formatura em medicina é um ensaio chamado “Sobre a Psicologia e a Patologia dos chamados fenômenos ocultos”, o qual se baseia em suas observações dessa moça.

Pelo fato de ter lidado com religião, alquimia, espiritualidade e coisas semelhantes alguns críticos qualificaram Jung de místico ao invés de cientista.

No entanto, está bastante claro que a atitude de Jung foi sempre a de um investigador mais do que a de um crente ou discípulo.

Ele via tais sistemas de crença como expressões importantes de ideais e aspirações humanas, como dados que não deveriam ser ignorados por qualquer pessoa que se interessasse por toda a amplitude do pensamento e do comportamento humanos.

Jung e a experiência do numinoso

Jung: Sou um pesquisador e não um profeta. O que me preocupa é o que pode ser verificado através da experiência. De modo algum estou interessado naquilo que se pode especular sobre a experiência sem nenhuma prova.