Linguagem e palavras

Palavras: frutos da linguagem

Aristóteles, em sua obra :Política, nos diz que “os animais possuem voz (phoné) e exprimem dor e prazer, mas o homem possui a palavra (lógos) e, com ela, exprime o bom e o mau, o justo e o injusto”.

Diante da visão de Aristóteles percebemos a importância da linguagem e palavras como ferramenta de expressão do ser humano e também como meio de diferenciação das demais espécies.

O homem ao exprimir o bom e o mau, o justo e o injusto, passa a ser o único ser que decodifica a dor e o prazer e não apenas os expressa instintivamente.

Ser humano, linguagem e palavras

Através da palavra do homem constrói, se insere e é inserido na cultura que o rodeia atuando em seu contexto de forma social.

Tal poder de atuação da linguagem faz das palavras ingredientes de transformação do ser humano, pois através delas o homem apreende e decodifica as mensagens transmitidas do meio em que vive.

O linguista Hjelmslev nos diz que: “a linguagem é inseparável do homem, segue-o em todos os seus atos”.

Esta afirmação vem de encontro à forma do homem pensar onde seu pensamento decodifica suas emoções em imagens e palavras.

Aqui vemos a atuação das palavras sendo, além de uma ferramenta social, também uma ferramenta de construção, atuação e entendimento de seu próprio psiquismo.

Marilena Chauí ao dissertar sobre a expressão grega “lógos”, que originou “palavra”, diz que “as palavras são ligações universais e necessárias entre os seres”.

Assim sendo, vemos na linguagem e, por consequência, nas palavras os fatores físicos (captação pelos sentidos físicos), socioculturais (transmissão de mensagens do meio para a pessoa) e psicológicos (emoções, percepções, afetos, imaginação, inteligência e memória).

Chauí nos diz que “as palavras denotam ideias e significações, participa na formação e formulação de ideias e valores” e em razão de tal abrangência “é uma experiência total dos seres que vivem no mundo e com os outros; é uma dimensão de nossa existência”.

O ser humano ao receber as palavras retorna seu olhar para si e as palavras impregnadas de sentidos por quem a transmite acaba por construir sua própria subjetividade na pessoa que as recebe levando em consideração seus próprios conteúdos sociais e afetivos, ou seja, as palavras que chegam ao indivíduo o modificam de alguma forma.

Brandão, sobre a linguagem, nos diz que esta se constitui “em um primeiro momento, como método de análise de informações recebidas e, a seguir, como método para tomar decisões e tirar conclusões”, sendo, portanto, segundo o autor “um método para regular o comportamento e o curso dos processos mentais”.

Perls, Hefferline e Goodman, fala-nos que na cultura “como um todo houve um desenvolvimento de uma cultura simbólica privada de contato ou afeto” e que assim acabou por transformar a cultura numa personalidade “verbalizadora”, e que prega “uma fala que é insensível, prosaica, sem afeto, monótona, estereotipada no conteúdo, inflexível na atitude retórica, mecânica na sintaxe, sem significado”.

Paulo Rogério da Motta