O sonho na Psicanálise de Freud


A oniromancia ou a arte de interpretar os sonhos é conhecida desde os tempos mais remotos.

A biologia se referia aos sonhos como, apenas, expressão de ressonância orgânica, não dando, assim, nenhum valor ao sentido oculto que os sonhos, porventura, pudessem encobrir.

Sonhos eram espumas…

Efeitos de um trabalho desconexo, provocado por estímulos fisiológicos.

Foi nessa balbúrdia de opiniões que Freud descobriu a significação oculta dos sonhos.

Disse Freud: “com grande surpresa minha, descobri um dia que não é a concepção médica do sonho, mas sim a leiga, ainda mais presa à superstição, que se aproxima da verdade”.

De fato, através da análise dos sonhos de muitos dos seus pacientes, pode Freud desvendar o sentido de muitos sintomas e encontrar a “estrada real” que os conduzia para a cura.

Conhecer o valor simbólico é saber interpretá-los.

São essas precisamente as dificuldades primordiais na interpretação dos sonhos, pois eles se utilizam de símbolos.

Para Freud, a maior parte dos símbolos é sexual.

O sonho na Psicanálise de Freud

O sonho é um fenômeno psíquico

Para Freud, sonhos são realizações de desejos e o estímulo inicial do sonho pode ser interno ou externo.

  • Exemplo de estímulo interno: a fome poderá produzir o sonho de um banquete.
  • Exemplo de estímulo externo: o “tic tac” de um relógio pode fazer com que sonhemos com passos ou com sinos.

Desse estímulo inicial desdobra-se uma série de acontecimentos que se emaranha, complica-se e que constitui a totalidade do sonho.

A excitação “chama”, “desperta” as repressões adormecidas no Inconsciente.

No sono, com o repouso da consciência, surge ocasião para o trabalho do inconsciente.

A realidade é trocada pela realidade psíquica e, para Freud, a vida é uma tremenda luta entre a realidade e o prazer.

Assim, nessa concepção, o fenômeno onírico é onde tudo aquilo que é incapaz de ser realizado na vida real, o sonho realiza em realidade psíquica.

Por aí é fácil imaginar centenas de sonhos, cuja característica principal é a realização direta de um determinado desejo.

Entretanto a realização de desejos nem sempre é uma causa de prazer para quem os têm.

A atitude de um indivíduo em relação aos seus desejos pode ser inconfessável e é totalmente particular e, em muitos casos, deseja muita coisa que o preconceito e a moral proíbem e que a “censura íntima” recalca.

Assim entendemos o mecanismo dos pesadelos.

O pesadelo é seguido comumente de um sobressalto ao despertar e, assim, fica interrompido o nosso sono, e despertamos antes que o desejo reprimido ou recalcado tenha alcançado a sua completa realização.

A interpretação dos sonhos na concepção freudiana consiste no relato do paciente e, dessa forma, é este quem dirá a significação do sonho.

Quando este diz que nada sabe de sua interpretação o que se pressupõe é que ele “pensa que não sabe”.

O elemento onírico é uma substituição de “alguma coisa”.

E se vamos buscar uma compreensão de nossos sonhos é necessária uma firme resolução de não cedermos ao influxo de nossa própria censura.

É necessário também sempre termos presente que os sonhos falam por meio de símbolos e que são estranhos à nossa consciência.

É como lidar com um idioma que não conhecemos!

É nessa linguagem simbólica e estranha que se escondem todas as ideias ocultas e estranhas do pensamento inconsciente.

O sonho na Psicanálise de Freud, portanto, geralmente, só pode ser interpretado mediante o conhecimento da “situação psíquica” do analisando.

O sonho na Psicanálise de Freud

Relações simbólicas e o sonho na Psicanálise

Há “relações simbólicas pessoais”, ou seja, símbolos que têm significado pessoal e que só podem ser interpretados conhecendo a “situação psíquica” da pessoa; e há relações simbólicas que são fixas, permanentes e comuns a todos os indivíduos em alguns casos.

Exemplos:

  • A “casa” constitui uma representação regular da “totalidade psíquica” e, com frequência, nos vemos em sonhos entre paredes e fachadas de prédios, no interior de cômodos e ali experimentamos sensações diversas. As casas de muros lisos representam “homens” e os que mostram saliências nas quais podemos nos agarrar simbolizam “mulheres”.
  • Os pais aparecem simbolizados em imperadores, imperatrizes, reis, rainhas e personagens eminentes. Geralmente aparecem em ambientes de grande respeito e solenidade.
  • Já os filhos e os irmãos são representados por animais e parasitas.
  • O nascimento é quase sempre simbolizado por uma ação na qual a água é o fator principal.
  • Sonhamos, muitas vezes, que estamos na água ou que dela saímos ou que salvamos alguém que se afoga ou somos salvos de um afogamento. Essa atitude de salvar ou ser salvo, geralmente, traduzem uma relação maternal entre os dois indivíduos.
  • A morte é simbolizada no sonho pela partida, ou por uma viagem, ou quando nos sentimos mortos através de razões obscuras e sinistras.
  • A nudez é simbolizada por trajes e uniformes.
  • O sonho possui, para os órgãos genitais masculinos, um grande número de representações, por exemplo: o número 3, bastões, árvores, espadas, guarda-chuvas, revólveres, jarros, copos, balões, aviões, etc..
  • Por vezes a ereção ou intenso desejo sexual é simbolizado pelo ato de “voar”.
  • O sonho possui para o órgão genital feminino, geralmente, características de cavidade, como: cavernas, vasos, caixas, cofres, arcas, paisagens, jardins, igrejas, castelos, etc..
  • Os seios podem ser representados por maçãs ou frutas arredondadas.
  • As flores são símbolos sexuais femininos e podem representar a virgindade.

Essas interpretações foram extraídas de diversas fontes, tais como fábulas, folclore, estudo dos costumes, provérbios, linguagem poética e da linguagem comum.

A Psicanálise investigou também na mitologia, na linguística e na antropologia essa coleção de símbolos.

Mas que se não se perca a ideia de que o sonho na Psicanálise de Freud deve ser visto em seu sentido pessoal, ou seja, o sonho é daquele que sonha e a representação simbólica deve ser feita considerando o mundo psíquico desta pessoa.


Vídeo: Sonho na Psicanálise