Perdoe a si mesmo

Perdoe a si mesmo, uma mensagem para reflexão sobre o quanto o perdão buscado deve primeiramente ser obtido de si mesmo.

O acusador pode estar dentro.

Perdoe a si mesmo

Perdoe a si mesmo


Um monge peregrino ia caminhando apressadamente pela estrada.

Subitamente, apareceu, por entre os capins altos da beira da estrada, um homem de grande estatura.

Por favor, senhor! – ele disse ao monge, que se virou com ar meio distraído.

– O que você quer?

– Vi que o senhor é um monge e queria pedir-lhe um favor: salve-me desta vida de pecados que tenho levado. Sou um criminoso, um ladrão… Fui expulso de casa por meus pais.

Prossegue o homem:

– Como se estivesse afundando na lama, fui praticando crime após crime… Tenho medo do futuro que me espera e não sinto sossego nem por um instante… Salve-me, por favor! Livre-me deste sofrimento, desta angústia!

Assim dizia o homem, ajoelhando-se diante do monge.

Após ouvir tudo em silêncio e com os olhos fitos no homem, o monge disse, de repente:

– Puxa, estou com muita sede! Será que não há alguma fonte por aqui?

Com expressão de surpresa por essa repentina pergunta, o outro respondeu:

– O senhor está com sorte, pois há um poço velho logo ali. Não tem roldana nem balde, mas eu tive uma boa ideia. Tenho aqui uma corda e vou amarrá-la na sua cintura e descê-lo para dentro do poço. O senhor poderá tomar a água do poço até se saciar. Quando terminar de tomar a água, dê-me um aviso, e eu o puxarei para cima.

O monge ficou muito contente e pediu-lhe que o descesse para o fundo do poço.

Instantes depois, veio lá do fundo a voz do monge:

– Pode puxar!

– Está bem! – respondeu o outro. E deu um puxão na corda, empregando a sua grande força. Mas nada de o monge subir! Que coisa estranha, o peso era tão grande que até parecia haver um bloco de chumbo na extremidade da corda.

“Que esquisito!” pensou o homem e, esticando o pescoço pela borda, perscrutou a semiescuridão do interior do poço para ver o que se passava lá no fundo.

Qual não foi a sua surpresa ao ver o monge firmemente agarrado a uma grande pedra que havia dentro do poço!

Por um momento o homem ficou mudo de espanto.

Depois gritou zangado:

– Ei, que negócio é esse? Que diabo o senhor está fazendo aí? Pare com essa brincadeira boba! Já está escurecendo e logo será noite. Vamos, largue essa rocha imediatamente, para eu poder içá-lo.

O monge respondeu:

– Calma, meu rapaz! E escute bem o que vou lhe dizer: você é grande e forte, mas mesmo com toda essa força você não consegue me içar, se eu fico assim agarrado a esta rocha. Sabe, é exatamente isso o que está acontecendo dentro de você. Você se considera um criminoso, um ladrão, um filho pródigo e está firmemente agarrado a essas ideias. Desse jeito, mesmo que eu ou qualquer outra pessoa faça um esforço enorme para reerguê-lo, não vai adiantar nada! Tudo depende de você. É você quem resolve se vai continuar agarrado ou se vai se soltar.

Prossegue o sábio:

– Se você quer se salvar, é só desprender-se dessas ideias negativas que você vem mantendo. É muito simples. Desprenda-se, liberte-se. Assim você vai poder sair imediatamente para um mundo cheio de luz, vai Conseguir a paz de espírito. No entanto, pensamentos ilusórios de todos os tipos têm projetado suas sombras neste mundo, lançando muitas pessoas na escuridão. Essa escuridão é o que chamamos de aflição, sofrimento, infelicidade. Mas é preciso compreender que escuridão ou treva significa apenas a ausência de luz. Na verdade, a treva não tem existência real, por isso é só aparecer a luz e pronto: a treva desaparece. Some imediatamente, compreende? Pelo seu jeito, notei que, na realidade, você é um homem de bom coração. Além disso, é inteligente e dotado de grande força. Percebeu isso? Vejo que já compreendeu…

Então, está tudo bem.

Agora pode içar-me, pois eu também já me desprendi desta rocha.

Uma vez fora do poço, o monge fitou o homem com os olhos cheios de bondade e seguiu seu caminho, deixando atrás de si o homem que, finalmente, despertara para o bem.