A Psicanálise e o Complexo de Édipo

É através do Complexo de Édipo e da ferida aberta em sua onipotência das fantasias infantis que a criança terá acesso ao mundo e às possibilidades de transformá-lo.

A Psicanálise e o Complexo de Édipo

O mito de Édipo

Édipo Rei é uma peça de teatro grega, mais precisamente uma tragédia, escrita por Sófocles por volta de 427 a.C..

Tudo começou quando o Oráculo de Delfos disse ao então rei de Tebas (Laio), que uma profecia iria se concretizar.

Seu filho que iria nascer o mataria e casaria com Jocasta, sua esposa. Laio com medo, levou o filho até o monte Citerão e pregou seu pé na intenção de matá-lo.

Mas de nada adiantou!

Um belo dia ia passando um pastor por aquele lugar, ele viu e salvou o garoto a quem chamou de Edipodos (pés inchados).

Édipo voltaria a Delfos, depois de ser adotado pelo Rei de Corinto.

Um dia ao trilhar uma estrada discutiu com um homem que o mandou sair da frente.

Discutiram e ele acabou matando-o. Era seu pai.

Ao chegar a Tebas se encontrou com a temida Esfinge que assolava o lugar. Ela saia fazendo enigmas e quem não conseguisse desvendar o enigma era devorado.

Sua celebre frase: “Decifra-me ou devoro-te”.

Eis o enigma da Esfinge:

  • Que criatura pela manhã tem quatro pés, ao meio-dia tem dois e à tarde tem três?

A resposta ao enigma:

  • O homem. Quando bebê engatinha e tem quatro pés, ao crescer anda sobre duas pernas e na velhice utiliza uma bengala.

Ela então propôs esse enigma para Édipo, que conseguiu desvendá-lo.

Inconformada, a Esfinge se jogou no penhasco e Édipo foi coroado rei por ter livrado a cidade do monstro.

Como a Rainha Jocasta havia ficado viúva, ele se casou com ela e teve quatro filhos.

Por acaso, um dia ele descobre que Jocasta é sua mãe.

Sabendo disto, ela comete suicídio e ele fura os próprios olhos por ter estado “cego” e não ter percebido que havia cometido os maiores pecados de sua vida.

A Psicanálise e o Complexo de Édipo

O complexo de Édipo

O Complexo de Édipo faz parte da teoria montada por Sigmund Freud e fala de investimentos afetivos que fazemos em nossos primeiros anos de vida ligados aos nossos “cuidadores” (que cumprem a função de cuidados com a criança) e que nos ajudam a estabelecer os vínculos afetivos e com os quais aprendemos o investimento no outro (objeto externo).

A Psicanálise e o Complexo de ÉdipoO complexo de Édipo caracteriza-se por sentimentos contraditórios de amor e hostilidade e é vivido, geralmente, entre o terceiro e o quinto ano de vida.

Metaforicamente, este conceito é visto como amor à mãe e ódio ao pai, mas esta ideia permanece, apenas, porque o mundo infantil resume-se a estas figuras parentais ou aos representantes delas.

As funções: paternal (proibição) e maternal (objeto de amor) podem ou não coincidir com pai e mãe biológicos.

A ideia central do conceito de complexo de Édipo inicia-se na ilusão de que o bebê tem de possuir proteção e amor total, o que é reforçado pelos cuidados intensivos que o recém nascido recebe por sua condição frágil.

O drama edipiano tem como significado o destronamento do narcisismo infantil.

A criança começa a perceber que não é o centro do mundo e precisa renunciar ao mundo organizado em que se encontra e também à sua ilusão de proteção e amor total.

O complexo de Édipo é muito importante porque caracteriza a diferenciação do sujeito em relação aos pais.

A criança começa a perceber que os pais pertencem a uma realidade cultural e que não podem se dedicar somente a ela porque possuem outros compromissos, como é o caso do trabalho, de amigos e de todas as outras atividades.

É através do Complexo de Édipo e da ferida aberta em sua onipotência das fantasias infantis que a criança terá acesso ao mundo e às possibilidades de transformá-lo.

A figura do pai representa a inserção da criança na cultura, é a ordem cultural.

A criança também começa a perceber que o pai pertence à mãe e por isso dirige sentimentos hostis a ele.

Estes sentimentos são contraditórios porque a criança também ama esta figura que hostiliza.

A diferenciação do sujeito é permeada pela identificação da criança com um dos pais.

Na identificação positiva, o menino identifica-se com o pai e a menina com a mãe.

O menino tem o desejo de ser forte como o pai e ao mesmo tempo tem “ódio” em razão do ciúme da mãe.

A menina é hostil à mãe porque ela possui o pai e ao mesmo tempo quer se parecer com ela para competir e tem medo de perder o amor da mãe, que foi sempre tão acolhedora.

Na identificação negativa, o medo de perder aquele a quem hostilizamos faz com que a identificação aconteça com a figura de sexo oposto e isto pode gerar comportamentos homossexuais.

Com o aparecimento do Complexo de Édipo, a criança sai do reinado dos impulsos, dos instintos e passa para um plano mais racional.

A fissura ocorrida neste narcisismo é vivida pela criança por aquilo que se convencionou chamar de complexo de castração.

A criança desistirá da mãe ou do pai porque se constituem em “objeto incestuoso”, por medo da castração (ameaça da função pai) e entrará no chamado período de latência onde o interesse sexual permanece meio que adormecido.

É aquela fase que para quem lida ou já lidou com crianças acontece o clube do Bolinha e da Luluzinha, eles não se topam muito e implicam uns com os outros o tempo todo.

A pessoa que não consegue fazer a passagem da ilusão de superproteção para a cultura pode vir a ter a sua estrutura de personalidade configurada como psicótica.


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