A psicologia da pré-adolescência


Pré-adolescência, esta fase é tão complicada para o jovem quanto para a família.

É esta difícil fase da vida que trata a psicologia da pré-adolescência.

A psicologia da pré-adolescência

A psicologia da pré-adolescência

Artigo baseado e com excertos da obra: Introdução à Psicologia, de A. Sperling e K. Martin e em material do CRAS de Jaboatão dos Guararapes e M de Mulher família.

Onde está aquela criança que brincava com bonecas e carrinhos, colocava os sapatos da mamãe e jogava bola no quintal, que gostava de ouvir histórias e de ficar em casa?

Pré-adolescência, esta fase é tão complicada para o jovem quanto para a família, para a escola e para todos que convivem com essa transformação natural, que acontece entre a faixa etária que vai desde o décimo ano de vida, onde ocorrem intensas mudanças físicas e psicológicas.

A palavra adolescência vem do termo em latim “adolescere“, que significa amadurecer.

É isso mesmo o que vai acontecer com seu filho nessa fase.

Ele vai crescer, vai mudar sua forma de pensar e de se relacionar com o mundo, vai ter desejos, sonhos e interesses diferentes, enfim, sua vida vai ganhar um novo sentido.

A pré-adolescência é uma preparação para essa fase.

Antes de tudo, seu filho precisa desligar-se de tudo o que o prende à infância e construir uma nova identidade para si. Mas, essa tarefa não é nada fácil.

Vídeo: Depende né?

Nessa fase fica difícil para o adolescente entender porque não pode fazer certas coisas, pois ele acredita que é capaz de tomar suas próprias decisões.

Acontecem os conflitos familiares, pois existe resistência em receber ordens e a acatar as regras.

Nesse período, os jovens sofrem uma indefinição ainda maior do que na adolescência.

Eles estão deixando de ser crianças – algo que eles conhecem muito bem – para ser algo totalmente novo.

Isso cria muita fantasia e expectativas.

Não aceitam que os pais os levem para a escola, já querem sair sozinhos, procuram se socializar e conduzir suas próprias ideias, pois acreditam serem arcaicas as regras recebidas da família.

Essas mudanças acarretam uma série de fatores psicológicos em que o jovem passa a dar mais importância às amizades, se agrupam com amigos que possuem algo em comum e passam a ser mais reflexivos e questionadores quanto aos modelos adquiridos pelos pais.

Muitos pré-adolescentes podem até mesmo se sentir em pânico ao se deparar com as novas regras de seu grupo social e achar que não poderão se adequar a elas.

“Vou ter que namorar? E se eu não conseguir?”, é um pensamento comum na cabeça de muitos pré-adolescentes.

psicologia da pré-adolescencia

Fase de descobertas e transformações

Essa fase é de descobertas, curiosidade e muito medo do que vem pela frente. Os pais precisam ter paciência.

Entre as meninas, a preocupação em se adequar aos padrões de beleza também gera muita angústia. Em razão desse sofrimento, o jovem pode se isolar e a apresentar um comportamento autodestrutivo.

Em casos mais intensos, pode até vir a ter depressão.

Essas mudanças de comportamento e de interesses são acompanhadas por mudanças físicas.

O corpo da menina começa a ganhar contornos mais femininos: os seios vão crescendo aos poucos, a cintura vai se afinando, os pelos nascem.

Os meninos também enfrentam muitas transformações.

Psicologia da pré-adolescênciaA voz engrossa, o pênis aumenta de tamanho, os pelos se espalham por todo o corpo. E, tanto o menino como a menina, crescem bastante – às vezes até mais de 10 centímetros em um ano! – e ganham peso.

A grande responsável por toda essa revolução tem o tamanho de uma ervilha!

É a hipófise, glândula que fica localizada no meio do cérebro.

Lá pelos nove ou dez anos, a hipófise resolve que chegou a hora da mudança e começa a secretar hormônios que estimulam as gônadas (testículos e ovários) a produzir os hormônios sexuais, causando todo esse alvoroço – também conhecido pelo nome de puberdade.

A psicologia da pré-adolescência

Dica para pais e educadores

Respeito o espaço do filho

Conheça o que ele gosta e o que não gosta agora. Antigamente, ele adorava que você o buscasse na escola com um pirulito na mão, o abraçasse na frente dos amigos.

Hoje, ele odeia. Então respeite a mudança. É natural.

Converse olho no olho

Isso nunca é demais. Ele chegou em casa e se trancou no quarto?

Então, espere o momento certo para depois chegar pertinho dele.

Não acredite que ele vá querer sentar com você e ficar horas falando do que sente.

Essas conversas são mais indicadas durante um programa que vocês façam juntos (indo ao shopping, andando de bicicleta, tomando um sorvete…).

Invente algo que aproxime vocês e que faça com que ele se abra sem nem perceber que está fazendo isso.

Fale de sexo sem medo, mas fale também de amor!

O ideal é entrar no assunto “sexo” de acordo com a curiosidade do seu filho.

Procure falar de sexo sempre como algo ligado à vida afetiva de um casal e à existência do amor. “A maioria dos pais se preocupa apenas em dar as respostas sexuais mais ‘técnicas’, mas é preciso sempre falar sobre a qualidade de um relacionamento entre um homem e uma mulher, ou seja, falar de amor, respeito e lealdade também é algo muito valioso”.

Mude a forma de tratamento

Se antes ele era seu bebezinho, “o amor da mamãe”, agora ele não vai querer que você fale assim. Então, fale de uma forma mais adulta com ele.

Entenda o pré-adolescente

O humor dele muda de uma hora para outra, né?

Ele pede carinho, beijinho, colo e, no momento seguinte, se tranca no quarto. “Essas oscilações são perfeitamente normais, tenha tranquilidade para respeitar cada um desses momentos.”.

Não faça cobranças logo pela manhã

Durante a noite, o pré-adolescente tem várias alterações hormonais.

Por isso, ele pode ter muitos pesadelos e é normal que acorde com certo mau humor.

Respeite esse momento e evite puxar papo ou cobrar muitas tarefas logo nas primeiras horas do dia.

Ensine-o a perder o medo de dizer não

A vontade de ser aceito pelo grupo faz com que muitos pré-adolescentes não consigam dizer não.

Aceitar drogas só por medo de dizer não é grave!

Não querer desagradar o outro pode comprometer a vida de seu filho para sempre.

Ensine-o que é melhor dizer não e ser firme em suas decisões do que aceitar tudo e ser visto como “maria-vai-com-as-outras”.

Roupas, piercings e tatuagens

Por mais que seu filho use roupas que você ache inadequadas, tente respeitar seu estilo.

Ele precisa realizar suas próprias experiências para poder amadurecer e definir sua identidade. “Não coloque no mesmo nível regras para coisas sérias, como o uso de drogas, e regras para coisas menos sérias, como o uso de determinado tipo de roupa”.

Ídolos

Quando um pré-adolescente idolatra algum artista, ele está buscando uma forma de se identificar com algo.

Aquele ídolo é, em parte, o que ele gostaria de ser.

Isso acontece porque sua própria identidade ainda não está formada. “Através dos ídolos dele, você também poderá conhecer melhor seu filho, por isso procure saber quem eles são”.

E, por mais que você ache horrível o artista que ele gosta, não faça gozações e nem o ridicularize. Provavelmente, daqui a alguns anos ele também o achará horrível.

Baladas e saídas

Seu filho quer ir à matinê da discoteca e você não sabe se deixa ou não.

Ele faz escândalo, diz que todo mundo vai – menos ele, é claro – e fecha a cara.

Não desiste até você ceder!

Pois é. Por mais que seja doloroso, seu filho está certo!

Ele precisa conquistar a independência dele.

Cabe aos pais avaliar os riscos reais que seus filhos correm e permitir que essa conquista ocorra gradativamente.

É claro que alguns pré-adolescentes têm menos maturidade do que outros e os pais devem avaliar o momento certo de soltar um pouco as amarras do seu filho.

Drogas

Não adianta só falar que sexo é errado e que drogas não dão prazer.

Negar isso é entrar em contradição com o que os filhos vão ouvir dos amigos e, eventualmente, experimentar por conta própria.

Por outro lado, cabe aos pais mostrar a eles que nem tudo na vida é prazer: existem riscos, regras e limites reais, como a possibilidade de ficar viciado, dependente quimicamente e, em função disto, destruir a própria vida”.

Se os pais apenas fizerem terrorismo em relação às drogas, os filhos terão ainda mais curiosidade sobre elas e, quando entrarem na adolescência, fase em que contrariam todos os valores familiares, vão usá-las como uma forma de contestação.

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Dicas finais para os pais e educadores

Elogie quando seu filho fizer algo bom. Ele sentirá que não apenas os erros são levados em conta, mas os acertos também.

Não seja chato!

Não dê broncas justamente quando ele está se divertindo – com um jogo de computador ou vendo um filme na televisão – e muito menos na frente dos amigos.

Nada de sermões intermináveis, pois eles não funcionam. Dê seu recado de forma breve.

Nunca use a frase “no meu tempo, não era assim” como argumento para alguma proibição.

Isso cria um distanciamento entre você e seu filho, que ainda por cima se sente comparado aos pais – e já vimos que os pré-adolescentes detestam isso.


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