Psique e simbolismo

Psique e simbolismo são indissociáveis. O símbolo representa alguma coisa além do seu significado manifesto e imediato e é algo dinâmico e vivo.

O que chamamos símbolo é um termo, um nome ou mesmo uma imagem que nos pode ser familiar na vida diária, embora possua conotações especiais além do seu significado evidente, convencional e/ou óbvio.

Em muitos tipos de comunicação e expressão, incluindo religião e arte, os símbolos são de fundamental importância.

Os símbolos são realidades físicas e/ou sensoriais às quais os indivíduos que os utilizam lhe atribuem valores ou significados específicos.

Comumente representam ou implicam coisas concretas ou abstratas: pessoas, gestos, palavras, fórmulas mágicas, valores, crenças, hinos, bandeiras, etc. que tenham adquirido significado constituem-se símbolos.

Os significados podem ser:

  • Arbitrários: não tem relação com as propriedades físicas dos fenômenos. Ex.: a cruz (propriedade física) e o valor simbólico atribuído pelos cristãos.
  • Partilhados: o símbolo tem o mesmo significado para diversas culturas ou para determinada sociedade. Ex.: a palma como aplauso para quase todas as sociedades humanas.
  • Referenciais: os símbolos referem-se a uma coisa específica. Ex.: a cor branca é o símbolo do luto entre os chineses.

Existem, além disso, objetos tais como a cruz, conhecidos no mundo inteiro, mas que possuem, sob certas condições, um significado simbólico.

Assim, uma palavra ou uma imagem é simbólica quando implica alguma coisa além do seu significado manifesto e imediato.

Psique e simbolismo

Simbolismo psicológico

Imagens e termos simbólicos representam conceitos que nós não podemos definir com clareza ou compreender plenamente.

Para Jung, um signo representa alguma outra coisa; um símbolo é uma alguma coisa em si mesma, ou seja, uma coisa dinâmica, viva.

O símbolo representa a situação psíquica do indivíduo. Aqui é possível se perceber a relação intrínseca entre psique e simbolismo.

Símbolos são representações de um processo mental, de uma imagem ou ideia. Por exemplo: o gato pode significar a sexualidade feminina, o azar, a proteção (amuleto, no antigo Egito), etc..

A compreensão e interpretação do simbolismo inconsciente é uma das principais ferramentas da psicologia.

Quando a mente explora um símbolo, é conduzida a ideias que estão fora do alcance da nossa razão.

Por existirem inúmeras coisas fora do alcance da compreensão humana é que frequentemente utilizamos termos simbólicos como representação de conceitos que não podemos definir ou compreender integralmente.

Esta é uma das razões por que todas as religiões empregam uma linguagem simbólica e se exprimem através de imagens.

Mas este uso consciente que fazemos de símbolos é apenas um aspecto de um fato psicológico de grande importância: o homem também produz símbolos, inconsciente e espontaneamente.

Os sentidos do homem limitam a percepção que este tem do mundo à sua volta.

Além disso, há aspectos inconscientes na nossa percepção da realidade.

O primeiro deles é o fato de que, mesmo quando os nossos sentidos reagem a fenômenos reais, a sensações visuais e auditivas, tudo isto, de certo modo, é transposto da esfera da realidade para a da mente.

Muitas vezes o psicólogo se defronta com a tarefa de compreender e reconhecer o significado não de um símbolo em especial, mas de todo o processo de formação de símbolos.

Toda experiência contém um número indefinido de fatores desconhecidos.

Muitas vezes, o aspecto inconsciente de um acontecimento nos é revelado através de sonhos, onde se manifesta não como um pensamento racional, mas como uma imagem simbólica.

Psique e simbolismo

Psique e simbolismo

O psiquismo humano opera através de representações, ou seja, de símbolos. Exemplo: as crianças fazem de seus brinquedos uma representação do mundo externo e uma expressão do seu mundo interno.

O interesse da criança pelo mundo externo é deslocado para o brinquedo que passa a representar o objeto em si e a sua relação com o mundo externo.

A simbolização é de vital importância para o “ego”, pois para o ego a simbolização atua como um elo de ligação entre o mundo interno e o mundo externo.

Quando a simbolização deixa de “representar” e passa a “ser” o próprio objeto ou ideia acontece a ruptura deste “elo de ligação” entre o mundo externo e o mundo interno e o “ego” cinde com a realidade.

Psique e simbolismo

A importância dos símbolos

Diante do exposto podemos entender a importância que Jung dava aos símbolos, pois para ele, o símbolo contém tanto elementos conscientes quanto inconscientes e é através deste que se faz a ligação do inconsciente com o consciente. Psique e simbolismo são indissociáveis.

Sendo assim, mesmo quando atribuímos uma significação “consciente” ao símbolo, este também sempre terá algo de “inconsciente”, devendo considerar, então o símbolo em sua dimensão pessoal e coletiva.

Podemos concluir desta forma que os símbolos estão carregados de energia, afetividade e sentido para o homem.

Para ilustrar tudo o que falamos sobre simbolismo curta a música de O Teatro Mágico: “Sonho de uma flauta”.

Vídeo – O Teatro Mágico – Sonho de uma flauta

Fernando Pessoa: “Símbolos. Tudo símbolos… Se calhar, tudo é símbolo… Serás tu um símbolo também?“.